23/02/2012

Três observações sobre as coleções de inverno 2012/2013

 

Depois de Milão, Paris, Nova York (e também outras capitais como São Paulo e Berlim), a temporada de desfiles de moda masculina terminou com a London Fashion Week na última quarta-feira (22.02).

O site The Gentleman observou as principais tendências para o outono/inverno 2012/2013 e apresenta as primeiras impressões. (Fique de olho: publicaremos aqui mais análises nos próximos meses).

Por hora propomos um olhar detalhado para as três tendências mais importantes da temporada em combinação com as nossas três coleções favoritas e seus respectivos vídeos. Leia (e assista) abaixo:

 

1. O NOVO TERNO

Desta vez não se trata de um terno que se parece com o do seu pai nem de um uniforme sem graça. O terno foi atualizado e tem agora uma versão contemporânea: é mais perto do corpo e a jaqueta é ligeiramente mais curta. O terno deve preferencialmente ser combinado com acessórios divertidos – alfinetes, botões coloridos e lenços de bolso.

Esta é uma temporada que resgata as tradições de alfaiataria num sentido mais abrangente, sendo o casaco longo e o blazer de abotoamento duplo as peças principais depois do terno (bons exemplos vieram das coleções de Valentino, Prada e Burberry). Alfaiataria comunica segurança e estabilidade e talvez seja por isso que os modelos estavam mais arrumados do que em estações recentes.

A marca italiana Bottega Veneta propõe talvez a versão mais intrigante deste novo terno. O estilista Tomas Maieracrescenta aplicações coloridas e brilhantes em ternos slim, criando um efeito quase tridimensional. As linhas gráficas dão ao corpo um aspecto mais vertical (quem não quer parecer mais alto e mais magro?). É definitivamente uma coleção que vai agradar aos homens que não são tão altos.

Abaixo você pode assistir ao desfile da Bottega Veneta apresentado em Milão, em janeiro de 2012.

 

 

2. O COURO KINKY (ou a mania Mapplethorpe)

O fotógrafo americano Robert Mapplethorpe (1946-1989) revolucionou o mundo da arte durante o final dos anos 1970 e 1980 com suas fotografias provocativas. Seu contato com o mundo underground gay de Nova York foi fundamental para definir a sua estética e também para definir a sua própria personalidade. Ele frequentemente fotografou seus amigos e a si mesmo em roupas de fetiche. Para entender melhor a sua personalidade, recomendamos o livro “Só Garotos” de Patti Smith (Editora Cia das Letras) - que parece influenciar muitas pessoas da indústria criativa nesse momento.

Dito isto, é muito interessante ver quantas interpretações o “visual Mapplethorpe” ganhou nesta temporada. O couro preto emergiu como uma matéria prima importante. Ele está presente de várias maneiras – muito além da clássica jaqueta de motociclista. Todos parecem desejar um pouco do universo de Mapplethorpe: das marcas mais comerciais como TopMan aos designers mais intelectuais, como Raf Simons na sua última coleção masculina para a marca Jil Sander. Uma dica: se você quiser aderir ao look fetiche de verdade, considere usar luvas de couro.

Talvez a coleção de maior sucesso neste estilo foi a de Stefano Pilati para Yves Saint Laurent (recentemente confirmado como sendo a sua coleção masculina de despedida já que deixará a empresa). Todos os elementos de fetichismo estão lá mas de uma maneira muito chic, com alfaiataria impecável, sendo às vezes quase poderoso e misterioso demais para se deixar levar.

Abaixo o desfile da YSL com a voz do namorado de Mapplethorpe, Sam Wagstaff, na trilha sonora. A coleção foi apresentada na Universidade Sorbonne, em Paris, em janeiro.

http://youtu.be/t_tugJJocD0

 

 

3. NÃO É SOBRE ‘ESTAR NA MODA’: PARECER MASCULINO É O SUFICIENTE

O título deste tópico é bastante auto-explicativo. Mas caso você não tenha notado: alguns anos atrás houve uma mudança que fez todos os hipsters deixarem de se parecer com o cantor Justin Bieber para começar a se parecer com um lenhador. Foi quando os designers assimilaram estereótipos da classe trabalhadora e também passaram a celebrar a individualidade.

Esta temporada o homem ideal poderia ser um marinheiro (Louis Vuitton, Lou Dalton, Mugler), um soldado (Dior Homme, Umit Benan) ou um suburbano (Givenchy, Christopher Shannon, Martine Rose). E olhando para trás, é notável o que o estilista japonês Junya Watanabe fez em suas últimas coleções. No fim não importa mais de onde esses designers têm buscado inspiração, porque a mensagem principal é: “contanto que ele pareça masculino…”.

Esta temporada foi a Lanvin que fez todas essas camadas complexas de masculinidade se unirem. Os estilistas da casa, Alber Elbaz e Lucas Ossendrijver, conseguiram atingir uma certa aspereza mas com cavalheirismo. Ao apresentarem uma alfaiataria incrível e tecidos luxuosos, nunca um boxeador pareceu tão elegante. As calças têm cintura alta e as barras são mais amplas, as jaquetas têm inserções emprestadas das roupas de motociclistas, enquanto os ombros engrandecidos transmitem força. Estas roupas estão dialogando com os nossos tempos. Esta é uma coleção que irá cativar as mulheres também, especialmente aquelas que apreciam boas maneiras tanto quanto braços fortes.

Abaixo o desfile Lanvin apresentado em Paris em janeiro.

Outro vídeo com o desfile completo da Lanvin pode ser encontrado aqui.

 

 

Texto e colagem: Hermano Silva

 

 

Créditos para as imagens usadas na colagem: bastidores da Dior Homme e greeters na entrada do desfile da Yves Saint Laurent (Kavin Tachman / NYT), sombras nos bastidores de Jil Sander (Danilo Scapeti / NYT), imagens de passarela da Bottega Veneta (Yannis Vlamos / Style.com), Lanvin e YSL (Monica Feudi / Style.com).

 

 

 

Você já está nos seguindo no Facebook? Por favor curta a nossa página para receber atualizações: facebook.com/thegentlemanblog